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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Suplentes dominam Câmara de Seropédica e saúde gera revolta na população



A principal queixa da população recai sobre a falta de representatividade na Câmara Municipal. Críticos afirmam que o Legislativo foi transformado em um "anexo" do Poder Executivo.

Governada pelo prefeito Lucas Dutra dos Santos, a cidade acumula problemas graves. A rede de saúde é o ponto mais sensível, apresentando uma situação extremamente precária.

Uma auditoria da Defensoria Pública, confirmada por inspeção do Cremerj, apontou irregularidades nas unidades médicas. Usuários reclamam que a Câmara ignora o caos na saúde.

Reeleito em 2024 com 67,04% dos votos, Lucas montou uma base sólida com 10 partidos. O controle sobre o Legislativo é tamanho que um suplente foi colocado na presidência da Casa.

Para garantir o comando, o prefeito nomeou o vereador M. Lomeu como secretário, abrindo vaga para o suplente B. do Depósito, que agora preside a mesa diretora.

A manobra política gera insegurança jurídica e falta de independência. Teoricamente, basta o prefeito exonerar o titular para que o atual presidente perca a cadeira de imediato.

Atualmente, quatro suplentes ocupam cadeiras na Câmara: I. Bananeiro, W. Cebolinha, B. do Depósito e R. Alves. Eles substituem titulares que viraram secretários municipais.

Dos 10 parlamentares, apenas seis são titulares em exercício. No entanto, moradores denunciam que não há fiscalização real sobre os atos do governo municipal.

A falta de uma oposição atuante compromete o equilíbrio entre os poderes. Lideranças alertam que a cidade segue sem vozes que cobrem melhorias básicas em serviços essenciais.


Com informações: Elizeu Pires

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Confira quem são os 10 vereadores eleitos para a Câmara de Seropédica


SEROPÉDICA - Confira os vereadores eleitos para a Câmara Municipal de Seropédica, nesta domingo (15 de novembro). 

Veja quais são todos os vereadores eleitos: 

MAX GOULART  com 1.477 votos
NANDO PAIXÃO com  1426 votos
WATTYLA CEBOLINHA com 1.029 votos
NEIZINHO com 1020 votos
HUGUINHO com 1007 votos
FERNANDO BANANEIRO com 976 votos
BRUNO DO DEPÓSITO com 892 votos
PROFESSOR MARCOS LOMEU com 861 votos
LUCIANA ALVES com 598 votos
VAGUINHO DO EMILIANO com 579 votos  

Professor Lucas, do PSC, é eleito prefeito de Seropédica


Ele teve 66,01% dos votos dados a todos os candidatos e derrotou Anabal, que ficou em segundo lugar com 27,37%.

SEROPÉDICA - Professor Lucas, do PSC, foi eleito, neste domingo (15), prefeito de Seropédica (RJ) para os próximos quatro anos. Ao fim da apuração, Professor Lucas teve 66,01% dos votos. Foram 26.976 votos no total.

O candidato derrotou Anabal, que ficou em segundo lugar com 27,37% (11.185 votos).

A eleição em Seropédica teve 22,33% de abstenção, 2,16% votos brancos e 4,77% votos nulos.

Professor Lucas tem 39 anos, é casado, tem superior completo e declara ao TSE a ocupação de servidor público estadual. Ele tem um patrimônio declarado de R$ 166.797,45.

A vice é Vandréa Miguelzinho, do DEM, que tem 42 anos.

Os dois fazem parte da coligação Educando Para o Futuro, formada pelos partidos PP, PATRIOTA, PSL, DEM, SOLIDARIEDADE, PV, PRTB, PSC, CIDADANIA e PTC.

Veja o resultado após o fim da apuração:
Professor Lucas - PSC - 66,01%
Anabal - PDT - 27,37%
Luciano da Rede Construir - PL - 3,12%
Adonis Teixeira - DC - 3,05%
Dra Glória - MDB - 0,44%

Via: G1

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Candidato a prefeito de Seropédica, Professor Lucas, é investigado por vinculo com a milícia


Denuncias foram enviadas à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas

SEROPÉDICA - A força-tarefa da Polícia Civil do Rio, criada para apurar relações entre candidatos nas eleições municipais deste ano com organizações criminosas segue avançando. Além de quatro inquéritos que já estavam em aberto contra cinco candidatos, há, em curso, uma nova investigação, aberta essa semana, contra um candidato ao cargo do executivo no município de Seropédica, na Baixada Fluminense.

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco) investiga se o vereador e candidato a prefeito Lucas Dutra Dos Santos, conhecido como Professor Lucas, do Partido Social Cristão, tem sua candidatura vinculada à milícia que atua na cidade.

Fontes da Polícia Civil revelam que há pouco mais de uma semana várias denúncias que ligam Professor Lucas à milícia foram recebidas pela força-tarefa.

Uma testemunha, que não quis ser identificada, disse que os cabos eleitorais do candidato agem da forma truculenta com eleitores que apoiam outros candidatos.

A polícia também investiga se um policial militar identificado apenas como Disk seria autor de várias agressões contra eleitores. Uma dessas ações violentas foi registrada na 48ª DP (Seropédica). Um homem que não teve o nome revelado foi vítima de agressões e teve o rosto ferido. 

Procurado pelo DIA, o delegado William de Medeiros Pena Junior, titular da Draco, explicou que todas as investigações irão permanecer, mesmo após o pleito de domingo. 

"As investigações relacionadas ao processo eleitoral continham após o pleito de domingo, já que caso os delitos sejam comprovados, a justiça eleitoral pode até cassar eventuais candidatos eleitos, daí a importância das pessoas continuarem fazendo denúncias", explica o delegado.

A reportagem tentou contato com a assessoria do candidato, mas até a publicação desta matéria, não houve retorno.

OUTROS INVESTIGADOS 

No início do mês de novembro, o DIA apurou que o candidato a vereador do Rio Marcello Siciliano (Progressistas) estava sendo investigado por possível formação de curral eleitoral na Zona Oeste. Outros quatro candidatos também eram investigado. Todos por suspeita de aproximação com organizações criminosas. 

Alguns candidatos foram intimados a depor na sede da Draco. Na ocasião,  Siciliano disse que era alvo de perseguição política: "Isso é uma perseguição. Sou um homem de bem, de família".  

Na delegacia, mais de 30 candidatos a prefeito ou vereador da capital e de municípios da Baixada Fluminense foram denunciados por vinculo com o crime organizado.

Via: O Dia

Sede ONG administrada por candidato a vereador de Seropédica é atacada por tiros


Projeto social é administrado pelo candidato a vereador André Felipe (Republicanos)

SEROPÉDICA - A sede ONG Saber Mais, em Seropédica, Região Metropolitana, sofreu um ataque a tiros na noite desta quarta-feira. A organização foi atingida com dois tiros no portão de entrada e com um tiro na direção da sala do candidato a vereador André Felipe (Republicanos), quem administra o projeto social. Ninguém estava no local no momento do crime e não teve feridos. 

O caso foi registrado na 48ª DP (Seropédica).

Via: O Dia

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Moro é denunciado por revelar informação sigilosa durante entrevista


O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro foi denunciado nesta segunda-feira (1/6) na Comissão de Ética Pública da Presidência da República por ter supostamente revelado informações sigilosas durante uma entrevista concedida ao canal argentino La Nación Más.

A denúncia diz respeito a uma declaração feita por Moro no último dia 29, quando comentou a visita feita pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, ao ex-presidente Lula em julho de 2019. Na ocasião, Fernández era candidato à presidência e Lula estava preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.

"Na época, achei que isso foi um pouco ofensivo. Sinceramente, achei que não fez bem para as relações bilaterais. Não foi muito apropriado", disse Moro, que também ressaltou que "a relação Brasil-Argentina tem de ficar acima de questões partidárias".

A fala, segundo a denúncia, consiste em infração ética, já que o ex-ministro teria divulgado informações privilegiadas, obtidas enquanto chefiava o Ministério da Justiça. 

"A informação relativa a supostos prejuízos causados às relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, divulgadas na entrevista referida, traduz um conteúdo logicamente sensível e reservada à alta cúpula governamental e às instâncias diplomáticas", afirma o documento, assinado, entre outros, pelos juristas Lenio Streck e Celso Antônio Bandeira de Mello; e pela desembargadora aposentada do TJ-SP Kenarik Boujikian.

Também assinam a denúncia Caroline Proner; Marcelo da Costa Pinto Neves; Geraldo de Sousa Junior; Antonio Gomes Moreira Maués; Vera Lúcia Santana Araújo; Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira; Gisele Guimarães Cittadino; Geraldo Prado; Weida Zancaner Bandeira de Mello; Fabio Roberto Gaspar; e Marco Aurélio de Carvalho. 

"Forçoso perceber a falta de cerimônia e a irresponsabilidade com a qual o ex-ministro elabora um juízo delicado, relativo a dificuldades nas relações internacionais do Brasil com um dos seus principais parceiros geopolíticos e comerciais. Deplorável que o ex-ministro Sergio Moro o tenha feito com a finalidade de depreciar a imagem de um cidadão brasileiro que esteve sob a sua jurisdição [Lula], chegando a criticar um Chefe de Estado Estrangeiro por ter se solidarizado com este jurisdicionado", afirma a denúncia. 

Ainda de acordo com o texto, "o ex-ministro, acuado por seus entrevistadores, não resistiu à tentação de enveredar pela revelação de informações diplomáticas privilegiadas, que pretensamente dariam conta de um desgaste nas relações bilaterais entre duas nações historicamente amigas justamente em razão de um gesto humanitário de respeito protagonizado pelo atual presidente argentino, ao visitar o ex-governante brasileiro em seu controvertido cárcere de Curitiba".

Moro teria contrariado determinações expressas no artigo 3, II e 6, I, da Lei 12.813/13, que considera como privilegiada a informação que diz respeito a assuntos sigilosos ou aquela relevante ao processo de decisão no âmbito do Poder Executivo. Também qualifica como conflito de interesses divulgar ou fazer uso de informação privilegiada obtida durante exercício de cargo ou emprego no Executivo federal. 

"Nossa denúncia quer mostrar apenas o que todos já sabemos e sabíamos. Moro, além de atuar como juiz parcial, entrou no governo Bolsonaro com promessa de ir ao STF. dentro do governo, solicitou pensão sem previsão legal. E o mais grave: mesmo sabendo de vários atos contrários à ética e à Constituição, que ele mesmo relatou na sua saída, quedou-se silente", afirmou Streck à ConJur. 

Advocacia e consultoria 

O documento encaminhado à Comissão de Ética Pública da Presidência da República também cita uma reportagem publicada no jornal O Globo, segundo a qual Moro teria informado que pretende atuar como consultor e advogado de um escritório. 

"Quanto à informação veiculada pelo jornal O Globo, a ex-autoridade terá incorrido, ainda, em inobservância ao dever ético de negociar a sua contratação para atividade de consultoria durante o período vedado pelo artigo 6 da Lei 12.813/13, sob pena de configuração de conflito de interesse após o exercício do cargo", diz a denúncia. 

Segundo a norma, Moro só poderia exercer a atividade de consultoria seis meses depois de se desligar do cargo no Ministério da Justiça.

"Evidencia-se, assim, que a inserção do denunciado em atividades de consultoria e advocacia privada, sobretudo nas áreas de direito administrativo, regulatório e terceiro setor, configuraria patente conflito de interesses", diz o texto.

Clique aqui para ler a denúncia

Via ConJur

Bolsonaro diz que não fala com Witzel e ironiza: 'Brevemente já sabe onde ele deve estar, né?'


Presidente deu a declaração a um PM do Rio, na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta quarta


Ao receber um pedido de ajuda de um PM do Rio, na manhã desta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro atacou o governador Wilson Witzel (PSC) e insinuou que sabe onde o chefe do Executivo fluminense deve estar brevemente. Witzel é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por um suposto esquema de fraudes na área da Saúde do estado.

"Eu não vou conversar com o Witzel. Até porque brevemente já sabe onde ele deve estar, né?", disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.

Adversário político de Bolsonaro, Witzel foi alvo da Operação Placebo da Polícia Federal na terça-feira da semana passada - o que acirrou os ânimos em torno das suspeitas de interferência do presidente na corporação. Um dia antes a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) indicou ter conhecimento de que haveria ações contra governadores.

O comentário de Bolsonaro desta quarta foi feito após um apoiador, que se apresentou como sargento reformado da Polícia Militar do Rio, reclamar de uma taxação sobre a Previdência que estaria sendo aplicada sobre os salários de policiais reformados por incapacidade. Ele pediu que o presidente fizesse algo a respeito.

LEIA MAIS: Defesa de Witzel pede que processo sobre Operação Placebo seja enviado à 1ª instância

Diante de outros pedidos feitos por apoiadores, Bolsonaro disse que não tem poder de resolver tudo.

"Sou um sozinho. É um grande sistema que a gente tem pela frente, mas vai chegar um tempo que vai passar o limite de muita gente", afirmou o mandatário.

Via O Dia

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Eleições 2020 podem ser adiadas para dezembro, mas descartam prorrogar mandatos


ELEIÇÕES 2020 - Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cogitam adiar as eleições municipais de outubro para dezembro, devido à pandemia do coronavírus. A decisão sobre a data das votações deve ser tomada entre fim de maio e início de junho, a depender da situação sanitária do país. Ainda que o quadro não esteja definido, os ministros descartam a possibilidade de prorrogação dos mandatos atuais. Isso aconteceria se as eleições fossem reagendadas para 2021. Ou, ainda, se houvesse unificação com as eleições gerais de 2022.

— A saúde pública, a saúde da população é o bem maior a ser preservado. Por isso, no momento certo será preciso fazer uma avaliação criteriosa acerca desse tema do adiamento das eleições. Mas nós estamos em abril. O debate ainda é precoce. Não há certeza de como a contaminação vai evoluir. Na hipótese de adiamento, ele deve ser pelo período mínimo necessário para que as eleições possam se realizar com segurança para a população. Estamos falando de semanas, talvez dezembro — disse o ministro Luís Roberto Barroso, que vai presidir o TSE a partir de maio.

O ministro afirmou que eventual prorrogação de mandatos não está sendo cogitada na Corte, porque violaria a Constituição Federal.

— A ideia de prorrogação de mandatos dos atuais prefeitos e vereadores até 2022 não me parece boa. Do ponto de vista da democracia, a prorrogação frauda o mandato dado pelo eleitor, que era de quatro anos, e priva esse mesmo eleitor do direito de votar pela renovação dos dirigentes municipais. Se for inevitável adiar as eleições, o ideal é que elas sejam ainda este ano, para que não seja necessária a prorrogação de mandatos dos atuais prefeitos e vereadores — declarou.

Barroso acrescentou que unificar as eleições municipais com a disputa nacional de 2022 seria prejudicial por outro motivo: os temas a serem tratados nas campanhas são totalmente diferentes. A disputa nos municípios é mais voltada para assuntos locais, como transportes, planejamento da cidade e limpeza urbana. Já a eleição geral trata de temas de interesse nacional, como política econômica e programas sociais. Além disso, unir eleições locais e nacionais seria inviável operacionalmente.

— As eleições municipais deverão mobilizar 750 mil candidatos, cujas candidaturas precisam ser objeto de registro e que, em caso de impugnação, precisam ser decididas pela Justiça Eleitoral. Já é um número muito expressivo. Juntar a eles os questionamentos de registros de candidaturas à Presidência da República, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas significa criar imensas dificuldades para a administração do pleito pela Justiça Eleitoral. Um verdadeiro inferno gerencial — afirmou.

Barroso lembrou que houve prorrogação de mandatos durante a ditadura militar, quando uma emenda constitucional estendeu até 1982 o mandato de prefeitos e vereadores eleitos em 1976, e que deveria terminar em 1980.

— Não custa lembrar que nesse meio tempo, o Congresso Nacional foi fechado, com base no AI-5, para outorga do chamado Pacote de Abril, um conjunto de medidas eleitorais igualmente casuísticas. E a campanha eleitoral se desenvolveu sob a égide da Lei Falcão, que somente permitia a exibição, na TV, da foto do candidato, sem direito a fala — observou.

Técnicos do TSE ouvidos pelo GLOBO também apontam uma outra questão: ainda que a eleição seja adiada para dezembro, existe uma série de providências que precisam ser tomadas depois das votações que precisariam ser ajustadas. Antes das posses dos eleitos, em 1º de janeiro, os candidatos devem apresentar prestações de contas e essas contas precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral. Em seguida, vem a diplomação dos candidatos. E, por último, a posse. Para os técnicos, a definição da data da eleição é fundamental para fazer esse planejamento.

Em nota, a atual presidente do TSE, ministra Rosa Weber, declarou que não cogitava adiar as eleições de outubro por conta do coronavírus. Disse que o debate ainda era “precoce”. Barroso também tinha se pronunciado nesse sentido. Mas, diante do avanço da Covid-19 no Brasil, as conversas entre ministros tomaram outro rumo.

Por lei, as convenções partidárias estão agendadas para agosto. É o início oficial do processo eleitoral. A depender do cenário da pandemia, não teria como realizar as convenções na data prevista. Nem tampouco as campanhas, que começam depois das convenções - ao menos nos moldes conhecidos. Eleições pressupõem o contato entre as pessoas. Não seria possível substituir isso por uma videoconferência, na visão de ministros.

No TSE, também estão sendo discutidas formas de se fazer campanha sem aglomeração, caso não sejam adiadas a votação. Se essa hipótese seguir adiante, as campanhas deste ano serão as primeiras sem o chamado corpo a corpo. Os ministros também conversam sobre as zonas eleitorais. A dúvida é como realizar eleições sem fila para votar, ou com o menor número possível de pessoas reunidas.

Ministros ouvidos pela reportagem lembraram que a definição da data das eleições não está somente nas mãos do TSE. O Congresso Nacional poderia aprovar uma proposta de emenda constitucional para mudar o calendário eleitoral. E, se for necessário adiar a posse dos eleitos, por conta das providências a serem tomadas depois da votação, também caberá aos parlamentares aprovar nova data.

— A palavra final na matéria será do Congresso Nacional, a quem cabe aprovar emenda constitucional a respeito, se vier a ser o caso — concluiu Barroso.

Via O Globo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Os pré-candidatos a prefeito de Seropédica para as eleições de 2020


SEROPÉDICA - Assassinatos, medo e silêncio. Palavras de ordem na política do município de Seropédica, na Baixada Fluminense, localizado a 78km da Capital. Com uma população de 82 mil habitantes, não há um que não cite uma história de morte, quando o assunto é política. Há aproximadamente quatro anos, conflitos políticos parecem ser resolvidos no tiro. O primeiro caso é do vereador Luciano DJ, morto a tiros após sair de uma festa,  em seguida o ex-candidato a prefeito Miguelzinho, assassinado a tiros em uma padaria na antiga estrada Rio-São Paulo por um homem de máscara e por fim os suplentes de vereador Camilo, Júlio Reis e Rafael 39, este também morto em uma padaria com tiros no rosto. Miguelzinho foi o caso que mais chamou à atenção por ter sido candidato à prefeitura da cidade em 2016 pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), terminando em terceiro lugar, com 7.65% dos votos. O vencedor foi Anabal Barbosa (PDT), com 82,03% dos votos de quem era opositor e crítico nas redes sociais.

No mesmo ano da última eleição para a prefeitura da cidade, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, demonstrou preocupação com assassinatos envolvendo políticos e pré-candidatos às eleições da Baixada Fluminense. Na ocasião, o ministro falou que é “preocupante a reiteração de crimes dessa natureza, razão pela qual esses homicídios devem ser investigados”.

A declaração do ministro aconteceu no contexto de 14 assassinatos políticos em 9 meses, dentre eles 12 por motivação política, segundo a Polícia Civil. A primeira daquela série de assassinatos foi a do vereador Luciano DJ. Ele seria vice na chapa de Miguel nas eleições do ano seguinte. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga os casos.

Seropédica é filha de Itaguaí, emancipada em 1995, teve como primeiro prefeito Anabal Barbosa (1997 à 2004). Em seguida, Gedeon Antunes foi eleito e cassado em 2006 pelo TSE. Substituído por Darci dos Anjos – segundo colocado em 2004 – que se reelegeu em 2008 e logo em seguida também foi cassado. Entrou Alcir Martinazzo, o segundo colocado no pleito de 2008 que reelegeu-se em 2012 e mesmo com duas tentativas de cassação, conseguiu terminar o mandato. Seropédica é conhecida por ter em seu território a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), maior campus da América Latina, com aproximadamente 3.024 hectares e 131.346 metros quadrados de área construída. Conhecida no passado como Universidade Rural do Brasil por ter estabelecido as bases do ensino agropecuário no país, a instituição tem sua origem num decreto federal de 1910 que criou a Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária, instalada na capital fluminense.  Em 1948, foi transferida para o então distrito de Seropédica, no município de Itaguaí. O nome UFRRJ veio em 1965.

Ser candidato em Seropédica pode ser um caminho para antecipar a morte dependendo o poder de quem você pode ameaçar. Por isso o quadro abaixo relaciona apenas três pré-candidatos com interesse em disputar as eleições de 2020 e nenhum é um novato na política. Já nomes conhecidos da cidade como o deputado estadual Fábio Silva (DEM), Luciano da Rede Construir, o ex-deputado Wilson Bezerra (MDB) e Dr. Renê Vigne se articulam nos bastidores, mas até agora não anunciaram candidatura ou apoio a algum pré-candidato.

ANABAL (PDT)


Candidato natural a reeleição o atual prefeito Anabal Barbosa, disputará o quarto mandato. É soldado bombeiro militar, foi vereador de Itaguaí (1993 à 1996), primeiro prefeito eleito de Seropédica (1996 à 2004) e único político do município eleito deputado estadual (2006-2010). Disputou os pleitos de 2008 e 2012, sendo derrotado e retornou a gestão do município nas eleições de 2016.

Anabal em maio deste ano teve os direitos públicos suspensos por cinco anos e a perda da função pública decretados pela Justiça. A decisão foi tomada em um processo de improbidade administrativa instaurado em 2003 pela contratação irregular do Instituto de Administração do Rio de Janeiro (IARJ) para promoção de um concurso público. Permanece no cargo através de uma liminar.

Para a reeleição, enfrentará a rejeição dos servidores públicos e dificuldades para melhorar a infraestrutura, educação e saúde da cidade que agora teve sua UPA reinaugurada.

MARTINAZZO (PSDB)


Recém filiado ao PSDB por convite de Paulo Marinho, o ex-prefeito Alcir Martinazzo já circula pelas ruas de Seropédica como pré-candidato. Sua carta de apresentação é uma certidão de quitação eleitoral do TSE, o que lhe garante a plenitude de seus direitos políticos.

Ex-vereador e vice-prefeito de Itaguaí, Martinazzo disputou as eleições de 2008, ficando em segundo lugar. Com a cassação de Darci dos Anjos pelo TSE, assumiu o município e reelegeu-se em 2012 para um segundo mandato marcado por brigas com a Câmara Municipal e duas cassações por improbidade administrativa. Entre idas e vindas, conseguiu terminar o mandato.

PROFESSOR LUCAS (REDE)


O atual primeiro-secretário da Câmara Municipal de Seropédica, Professor Lucas, está no segundo mandato de vereador. É membro da Primeira Igreja Batista de Seropédica, atua no magistério na cidade desde 2003 e é professor concursado da rede estadual de ensino.

Único vereador de oposição em uma Câmara com 10 parlamentares, Lucas constantemente denúncia irregularidades em contratos no Ministério Público, protocola pedidos de CPI referentes contratos do município e dialoga bem com os servidores públicos.

Em 2017, o vereador usou a tribuna da Câmara para comunicar que caso lhe aconteça algo, que o responsável direto será o prefeito Anabal (PDT). Lucas foi autor da Moção de Repúdio para a primeira-dama e secretária de Educação, Cultura e Esporte de Seropédica, que declarou que os professores da Rede Municipal de Educação, deveriam ir trabalhar de jegue.

por: Diário do Rio